Ricardo Patroni

Requerimento busca novas informações sobre situação do Hospital

Publicado em: 03/06/2022 11:00

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Na tribuna, vereador Ricardo Patroni discursa sobre seu requerimento

Requerimento busca novas informações sobre situação do Hospital

Vereador Ricardo Patroni questionou outros órgãos para obter mais informações sobre Hospital

Na 19ª Sessão Ordinária, realizada na segunda-feira (30/05), o vereador Ricardo Patroni (PSD) apresentou um novo requerimento, o de nº 310/2022, com o objetivo de conseguir mais informações sobre a situação atual do Hospital Dona Balbina.

“Esse requerimento encaminha ao Conselho Federal de Medicina, ao Conselho Regional de Medicina e também o Departamento Regional de Saúde da região de Araraquara a solicitação de importantes esclarecimentos e informações em relação a esse obscuro caso que ainda se encontra o Hospital Dona Balbina”, iniciou o parlamentar na discussão do requerimento.

A situação atual do Hospital contempla a paralisação nos atendimentos pediátricos e o fechamento da maternidade. “Esse requerimento foi elaborado por mim e também pelos vereadores Sérgio de Oliveira (União Brasil), João Lázaro (PSDB), Renato Rosa (Republicanos), Luciane Lourenço (PSD) e Priscila Franco (PSDB), que agradeço pela importante participação e subscrição do documento.”

Ricardo Patroni relembrou do requerimento encaminhado ao Hospital logo quando a maternidade foi fechada. “Até o momento, infelizmente, se encontra sem respostas e, hoje, completam 21 dias dessa caótica situação de paralisação do atendimento de crianças e também de partos no único Hospital do município. Eu realmente não consigo entender até hoje essa situação absurda”, indignou-se.

O vereador citou que nem atendimentos de emergência estão sendo realizados. “Muito do que foi falado aqui em reunião pela diretoria e provedoria do Hospital não está sendo cumprido. Estão esperando o pior acontecer para tomar de fato alguma providência”, pontuando o caso de uma avó que estava com o neto de um ano com pneumonia e não conseguiu vaga de transferência.

“Ela chegou desesperada, na última sexta-feira, na Unidade de Saúde da Família do bairro Jardim Anésia chorando. O neto estava no pronto-socorro desde quarta-feira com pneumonia, sem conseguir vaga de transferência. Se essa avó não sai desesperada, aos prantos poderia ter acontecido algo pior com esse bebê”, relatou Ricardo Patroni.

O bebê acabou sendo atendido por uma das médicas pediatras que fazia parte do quadro do Hospital. “Foi uma das mesmas profissionais que foram excluídas do quadro de profissionais do Hospital pela diretoria e pela provedoria. Há relatos também de protocolos não adequados sendo realizados no Hospital colocando em risco a vida de bebês, crianças e também de mães”, detalhou.

Outro caso apresentado pelo vereador foi de uma gestante que chegou ao Hospital com deslocamento de placenta. “Ela estava sangrando, um caso de extrema urgência e não tinha possibilidade de transferir essa mãe, já que ela estava com mais de 35 semanas, e lá sem um profissional pediatra no Hospital para acompanhar.”

Além desses casos, Ricardo Patroni disse que os pacientes que possuem o convênio do Hospital são passados na frente dos atendimentos do SUS. “No entanto, até quem paga o convênio do Hospital vieram reclamar dos atendimentos. E a diretoria do Hospital falou para todo mundo que é o convênio que banca o Hospital. Não é a Prefeitura que repassa mais de R$ 1 milhão, não é essa Câmara Municipal que auxilia com as emendas, não são os deputados estaduais e federais, é só o convênio, e nem essas pessoas estão sendo bem atendidas.”

O parlamentar parabenizou a Câmara Municipal por ter se disposto a ouvir todos os lados da história. “Fizemos reuniões com a provedoria, administração do Hospital, também com os únicos dois pediatras que atendiam lá em regime de sobreaviso. Algumas informações importantes ainda não foram esclarecidas e que foram citadas tanto pela diretoria do Hospital e também pelos dois profissionais.”

Essas questões em aberto são as encaminhadas pelo novo requerimento. “Até o momento, não entendemos ainda o que está acontecendo. Um lado fala uma coisa, outro lado fala outra coisa. Acionamos aqui também o Ministério Público para avaliar o caso e tomar as devidas providências urgentes, tempestivas e protetivas, mas até o momento não temos nenhum posicionamento da promotoria”, finalizou sua fala.

A vereadora Priscila Franco foi até a tribuna e comentou sobre o caso do menino de um ano com pneumonia, detalhando como se deu o seu atendimento. “Fazia três dias que a criança estava esperando a transferência e não estava conseguindo. A avó hoje me mandou uma mensagem agradecendo a médica que o atendeu. A criança já está bem e em casa”, afirmou.

Já o vereador João Lázaro parabenizou Ricardo Patroni por mais esse requerimento. “Eu não sei o que está acontecendo que não se procura resolver o problema. É o nosso povo que está sofrendo. Nós vemos esses relatos tristes que poderiam ser alguém da minha família, a nossa população está sofrendo e fica esse descaso para resolver o problema. Já tentamos de tudo, tivemos reunião com o provedor, tivemos reunião com os médicos e fica nesse empurra-empurra”, declarou.

João Lázaro disse que tem recebido reclamações das filas dos atendimentos no pronto-socorro. “Então parabéns aos vereadores, estamos procurando fazer o nosso melhor e essas pessoas ficam brincando com a saúde de outras pessoas, que brincam com a vida de outras pessoas. Não é com a Câmara Municipal não, não é com o promotor que um dia eles vão acertar as contas, é com o nosso Pai.”

Para o vereador, quando alguma fatalidade acontecer vão querer passar a responsabilidade. “A hora que tiver um óbito, eu quero ver de quem será a responsabilidade. É um empurra-empurra, mas não foi vereador que tomou a atitude de acabar com os médicos, fechar a maternidade. O vereador está tentando resolver e por mais que a população xingue vereador e prefeito, nós estamos tentando resolver”, salientou João Lázaro.

O vereador Renato Rosa ressaltou a importância de ter uma solução urgente. “A diretoria do Hospital esteve conosco e nós tivemos a possibilidade de ouvi-los dizer que se tiver que fechar que vai fechar, doa a quem doer, com essas palavras. Ele teve a capacidade de falar isso aqui para todos nós. Quer dizer, não está nem aí, essa é verdade.”

Segundo o parlamentar, esse pensamento demonstra a falta de respeito com o cidadão ferreirense. “As grandes coisas não acontecem da noite para o dia. Nenhum vulcão explode da noite para o dia, ele vai dando sinais e esse Hospital vem dando sinais, fica o alerta. Tudo que nós ouvimos aqui, o deboche deles”, contou.

“Eles falam como se fossem os donos da cidade, como se fossem eles que regulassem a saúde de todos nós aqui, esse é o naipe de pessoas que nós temos na direção do Hospital para cuidar da saúde do povo de Porto Ferreira. Não respondem um requerimento, não respondem nem a Secretaria de Saúde que paga para eles todo mês, que não deixa faltar nada para eles”, detalhou Renato Rosa.

O vereador Sérgio de Oliveira foi o último a comentar o requerimento. “Quero parabenizar mais uma vez o vereador Ricardo e os demais colegas que também subscreveram esse requerimento e dizer que é revoltante o que nós estamos passando atualmente. Todos nós temos recebido quase que diariamente relatos da população que acabam trazendo revolta.”

Para o parlamentar, após ouvir o lado dos médicos e o lado do Hospital, é possível tirar conclusões. “E quem estava mentindo não eram os médicos não, porque se os médicos estivessem mentindo, eles já teriam tomado uma providência. Nós vamos tomar a providência que tiver que ser tomada que doa a quem doer.”

Sérgio de Oliveira ressaltou que a responsabilidade de tomar conta de um hospital que atende 70 mil pessoas é enorme. “Não se pode falar desse jeito. Se ele não está dando conta, que peça para sair. Aqui, ninguém está questionando a empresa dele, nós estamos questionando o Hospital que recebe verba pública.”

Outro ponto salientado pelo vereador foi que o prefeito Rômulo Rippa buscou alternativas assim que soube do fechamento da maternidade. “Imediatamente, arrumou R$ 300 mil para solucionar o problema e até agora nem resposta deram. O que me parece é que está sendo feito uma pirraça, estão querendo fazer graça, mostrar que eles podem. E a população sofrendo”, resumiu.

O vereador também questionou a demora na contratação de novos pediatras. “Por que não arrumou até agora os pediatras? Por que será que os pediatras não querem vir atender? Está estranha essa situação. Espero que se resolva o mais rápido”, contou acrescentando sobre o caso de um atendimento no Hospital em que a médica não prescreveu o remédio porque o local estava sem internet.

“Olha só nas mãos de quem nós estamos, médico olhando na internet para passar remédio para o povo. E esses são os médicos que eles falaram que estão arrumando, se o convênio está tão bom das pernas porque todo mês tem um profissional gabaritado saindo do convênio. Eu acho que algumas falas não estão batendo e eu estou começando a fazer a minha conclusão.”

Sobre o retorno dos atendimentos, Sérgio de Oliveira falou que não deverá ocorrer na data prevista. “Falaram aquele dia que voltariam provavelmente a atender nessa semana, mas eu já recebi a informação que me parece que será só a partir do dia 07. Vai chegar a um mês quase e até agora nada. Se eles têm os três pediatras que contrataram, começa a atender com esses três, para que esperar contratar cinco? Eu espero que se tomem o mais rápido possível as providências”, finalizou o vereador.

O requerimento foi aprovado por todos os vereadores presentes, constando as ausências dos vereadores Marcelo Neri (MDB), Pedro Melo (União Brasil), Élcio Arruda (MDB) e Marcelo Ozelim (Progressistas). A matéria será encaminhada para a respostas dos órgãos.

Por Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Porto Ferreira